Vida marinha no México é ameaçada por exploração de gás
- Pensamento Jornalístico na América Latina
- 29 de set. de 2024
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Organizações ambientais tentam barrar projeto México-Pacífico que impõe riscos a vida marinha do Golfo da Califórnia
Por: Eshiley Lislaine Sousa, Isabela Paulino Assis e Sophia Garcia Gonzaga.
O Golfo da Califórnia, localizado no México, é considerado o “Aquário do Mundo” e faz parte do Patrimônios Mundiais da Unesco. Esta área abriga cerca de 890 espécies de peixes, sendo que 90 delas são endêmicas. O debate sobre a exploração do gás natural liquefeito (GNL) ganhou protagonismo com as organizações sendo contra a ação.
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México, o Mar de Cortez, outra denominação ao golfo, abriga 39% dos animais mamíferos marinhos no mundo. A área de 276 mil km2 é o lar, também, de 181 espécies de aves e o local de reprodução e alimentação de seis espécies de tartarugas marinhas. No total, são 922 ilhas que formam o Golfo da Califórnia.
Questionado sobre a biodiversidade do Golfo da Califórnia, o professor da Unesp Sérgio Stampar, com experiência em zoologia marinha e que trabalhou no projeto OBIS - Sistema de Informações Biogeográficas dos Oceanos, comentou que “a gente sabe que ele está aumentando, isso fez com que novos ambientes fossem criados ao longo do tempo e isso foi gerando possibilidades de novas estruturas ambientais e aí os organismos acabam se adaptando, acabam por vários processos tendo adaptações, seja por seleção natural ou adaptação direta, que acabam ocupando esses novos ambientes, então o golfo é realmente muito importante”.
A proposta do projeto México-Pacífico é transportar 15 milhões de toneladas de gás metano para os Estados Unidos e para a Ásia. O projeto, previsto para iniciar em 2027, calcula que cerca de 64 navios carregados serão enviados, anualmente, de Puerto Libertad no estado de Sonora no México até a Ásia. A planta de liquefação, que pretendem construir na cidade, tem cerca de 400 hectares, 70 vezes maior que o Estádio Azteca na capital do México. Segundo o projeto, a extração acontecerá por fracking. Esse tipo de extração é vista como danosa por especialistas no ambiente marinho.
No México, a Aliança Mexicana contra o Fracking se organiza em defesa da água e do território. A aliança se formou em 2013 e já conta com mais de 40 organizações sociais de diversos estados. A organização apoia o grupo Baleias ou Gás que se movimenta para conscientizar a população dos riscos e trabalha para a proibição dessas ações de extração junto com outras organizações mexicanas e de outros países. Juntamente, mobilizaram um abaixo assinado para arrecadar assinaturas da população contra a exploração de gás no Golfo da Califórnia.
O que é Fracking?
A baixa permeabilidade do xistos traz a necessidade de realizar o fracking para extrair hidrocarbonetos. A técnica consiste em uma perfuração vertical de um poço até encontrarem petróleo ou o gás. Depois, realizam perfurações na horizontal, que podem ter diversas direções e vários quilômetros. Os poços horizontais possibilitam a injeção de água, areia e produtos químicos em alta pressão para forçar a saída dos hidrocarbonetos. Porém, como a pressão acaba de forma rápida, é necessário novas perfurações, o que leva a ocupação de uma grande área desse espaço.
Os hidrocarbonetos que são extraídos são o petróleo e o gás natural. Eles ficam “presos” nos xistos betuminosos, rochas pouco permeáveis no subsolo. A profundidade para encontrar esses recursos é de, geralmente, entre mil e cinco mil metros.
Impactos ambientais
A organização Baleias ou Gás realizou um estudo para mapear o impacto das ações extrativistas no território do Golfo da Califórnia. Um dos pontos críticos apontados pelo estudo são as colisões entre navios e baleias. A rota dos grandes navios neste projeto passa pela área de criação das baleias e, além disso, uma das principais causas de morte das baleias são as colisões com os navios. Entre 1998 e 2007, das 21 carcaças de baleias, 8 foram por conta de colisões.
Imagem retirada do site Ballenas o Gas
O barulho causado pelos navios também é um fator preocupante no ecossistema marinho. O ruído produzido pelo transporte afeta a comunicação, navegação e alimentação dos animais, em alguns casos pode causar surdez prejudicando ainda mais a desorientação.
A extração e transporte do gás natural liquefeito (GNL) interferem, também, na mudança climática. A combustão dos combustíveis fósseis nos navios e a forma de extração por fracking já são poluentes, entretanto a emissão de metano na produção e transporte contribui ainda mais.





Um tema atual, que tem preocupado o mundo inteiro (meio ambiente). Os impactos trazidos são imensos e nos faz reafirmar que o mundo precisa encontrar outras formas de extração de combuistíveis. O ecosistema preservado nos faz acreditar que ainda há esperança de recuperação daquilo que já foi quese que totalmente perdido. A entrevista com o professor Sérgio ficou muito boa. Parabéns. Material excelente.