top of page

Bolívar: grandiosidade boliviana que perdura até 2024

  • Foto do escritor: Pensamento Jornalístico na América Latina
    Pensamento Jornalístico na América Latina
  • 8 de set. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 16 de set. de 2024

Destaque do futebol boliviano busca título na segunda fase após início pessimista


Por Beatriz Palmeira, Carolina Bordin, Gabriela Bita, Ingrid Martins e João Vitor Segura


Um dos clubes de futebol mais tradicionais e de maior sucesso na Bolívia, o Bolívar é líder da segunda fase da Liga Boliviana, a Clausura, com 27 pontos em 12 jogos. A equipe acumula oito vitórias, três empates e uma derrota na competição. A boa fase é confirmada pela classificação como melhor ataque, com 24 gols marcados, e a defesa menos vazada, com apenas 4 gols sofridos.


Apesar da atual supremacia do clube no futebol boliviano, o início da temporada foi marcado por um cenário oposto. Sob comando do treinador argentino Flávio Robatto, o Bolívar disputou a Apertura (fase pré-Clausura) e foi eliminado nas quartas de final, após perder para o San Antonio Bulo Bulo, por 2 a 1.


Apertura e Clausura são competições anuais de uma mesma temporada esportiva muito utilizadas por países da América Latina. Os torneios seguem o formato de liga na qual as equipes jogam em sistema de pontos corridos. Cada competição possui seu próprio calendário e campeão. A Apertura geralmente acontece no primeiro semestre do ano e é o início da temporada, enquanto o Clausura marca o fechamento, no segundo semestre.


Para Ramiro Camacho, jornalista esportivo do Deporte Total, o time boliviano enfrenta vários desafios nesta temporada. Um deles foi a perda para o San Antonio, time que, segundo Camacho, o Bolívar não deveria ter tido maiores problemas para eliminar. “Foi uma surpresa ingrata realmente quando o San Antonio, um time muito fraco, um time do interior, como diríamos no interior do Brasil, foi o responsável por deixar o Bolívar de fora”, comentou.


O jornalista pontuou também a eliminação do clube da Copa Libertadores pelo Flamengo. O destaque boliviano enfrentou o Rubo-Negro na fase de grupos no Estádio Hernando Siles (vitória do Bolívar) e no Maracanã (vitória do Flamengo). Nas oitavas de final os times se encontraram novamente, no primeiro jogo, no Rio de Janeiro, a equipe brasileira fechou o placar com 2 a 0; já em La Paz, no segundo confronto, o Bolívar foi vitorioso, mas não conseguiu igualar a vantagem do clube carioca.


“O mais surpreendente é que naquele momento o Flamengo havia perdido jogadores importantes como Cebolinha, Pedro por lesão, Gabigol e Arrascaeta também estavam fora, para citar quatro dos seis jogadores que o Flamengo perdeu. Mas, apesar de todas essas circunstâncias, o Flamengo conseguiu mostrar sua capacidade e avançar para a próxima fase da Copa Libertadores”, pontuou Camacho sobre a eliminação do Bolívar.


Foto: Reprodução/Site Club Bolívar



Ainda sobre a história do time boliviano com o Flamengo, o jornalista a classifica como marcante. Ao comentar sobre as transferências feitas pela diretoria do clube, ele aponta a falta de Chico da Costa e Carmelo Algarañaz, resultando em desfalques no ataque. “Parece haver uma simbiose entre Bolívar e o jogador Chico da Costa, que foi uma figura predominante e importante no time boliviano enquanto esteve lá”, disse Camacho.


Apesar de ser o líder do futebol boliviano, o jornalista analisa que não há possibilidade de o Bolívar – assim como outros clubes do país – alcançar o patamar do futebol brasileiro. Isso devido, principalmente, aos orçamentos dos clubes nacionais. Para Camacho, é inviável pensar nos orçamentos de times como Flamengo, Palmeiras e São Paulo e tentar equiparar com os clubes bolivianos. “[...] a quantidade de dinheiro, as negociações e como o futebol brasileiro é gerido tornam impossível que possamos nos assemelhar a vocês”, afirma.


Ele complementa dizendo que, atualmente, o futebol brasileiro visa não apenas participar do Campeonato Brasileiro e dos estaduais, mas possui, também, um nível competitivo superior em comparação às instituições bolivianas. Em contrapartida, no Bolívar, jogam um torneio que Camacho classifica como não competitivo, além de terem “um excesso de jogadores estrangeiros que impedem e dificultam a saída de jogadores bolivianos para o exterior”. Ele relembra grandes nomes que passaram pelo clube, como Jairzinho, e diz que esse tipo de reforço, atualmente, é um grande desafio e um sonho para os dirigentes.


Hoje, o elenco boliviano é formado por 34 jogadores, dos quais, nove não são naturais da Bolívia; três destes são brasileiros, com ênfase para o meia Bruno Sávio, de 30 anos. Ramiro Vaca é o principal destaque do time. Com 26 anos, o meia disputou 29 partidas na temporada até o momento e tem um saldo de sete gols e sete assistências.


O objetivo do Bolívar no restante da temporada, para Camacho, é vencer o segundo torneio (Clausura), após a derrota na Apertura e na Copa Libertadores. Ele explica que o vencedor leva o prêmio de 3 milhões de dólares concedido pela Conmebol e 1 milhão da Federação Boliviana de Futebol. “[...] seria um fracasso tanto econômico quanto esportivo não conseguir conquistar o segundo título da temporada atual”, comenta o jornalista. Ele acrescenta que as chances do time contra o San Antonio de Bulo Bulo são grandes e há expectativa para que sejam vencedores.


Sociedade Anônima do Futebol


Criada em 6 de agosto de 2021, a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) estimula a migração dos clubes de futebol da associação civil sem fins lucrativos para a empresarial. Sua legislação – conhecida como Lei da SAF – incentiva a mudança das instituições para o formato de clube-empresa, que possuem normas de governança, controle e meios de financiamento específicos para a atividade do futebol.


O processo de estruturação das agremiações esportivas pode acontecer de três formas, sendo elas: a fundação direta dos clubes na SAF, a conversão de associação civil para a sociedade ou a cisão do departamento de futebol, com transferência de todos os ativos relacionados à atividade futebolística para a empresa. Por se tratar de um clube-empresa, após a formação, é possível vender parte majoritária, minoritária ou o capital completo para um novo proprietário.


Jhon Textor, Ronaldo e 777 Partners foram os primeiros casos com grande repercussão com Botafogo, Cruzeiro e Vasco, respectivamente. Os clubes venderam a participação majoritária sobre o capital da SAF aos representantes e, no processo, cada associação estabeleceu contratos explicitando os direitos e deveres de cada parte, com cláusulas que preveem a saída da parceria caso haja violação do acordo.


Na Sociedade Anônima do Futebol, os novos proprietários podem ser empresários, fundos de investimentos e até mesmo a abertura do capital na Bolsa de Valores (proposta comum em outros países, mas que ainda não foi explorada por nenhum clube brasileiro). Nesse cenário, o dono do capital (parcial ou total) tem poder de decisão definitivo e só deixará o negócio caso venda sua participação para terceiros.


No caso do Bolívar, o clube se configura como uma entidade esportiva, enquanto a Baisa – empresa criada por Marcelo Claure – gere a entidade na parte econômica, segundo Camacho. O jornalista explica que o time é uma instituição com seus próprios sócios e a empresa fica responsável por fornecer anualmente os recursos econômicos a ele. “São cifras realmente importantes no futebol boliviano, que nenhum outro time consegue gerenciar devido ao suporte financeiro robusto de Marcelo Claure”, afirma o boliviano.


Camacho comenta também que essa transição do Bolívar para SAF é “um processo que ainda tem alguns anos pela frente” e objetivos a serem cumpridos (um deles é a construção do estádio de Tembladerani). Para ele, a intenção é que o time seja autossustentável quando a parceria Bolívar-Baisa chegar ao fim, mas, ao seu ver, ainda há um longo caminho a ser percorrido para alcançar a situação.



Parceria Bolívar e City


O maior campeão da Bolívia, com 29 conquistas, anunciou em 2021 que fará parte do City Football Group (CFG), instituição que comanda 12 clubes espalhados pelo mundo, entre eles Manchester City e Esporte Clube Bahia. A união entra no planejamento do clube para 2025, ano de seu centenário, e os dirigentes anunciaram que, com o projeto, o Bolívar terá uma das melhores estruturas da América do Sul, com capacidade para 80 atletas. 



Montagem: Ingrid Khiara


Hegemonia local e campanhas de destaque nas competições continentais estão entre os objetivos visados pelo clube. Apesar da parceria com o CFG desde janeiro de 2021, o Bolívar não foi comprado pela organização – como é o caso do Bahia – e continua sendo propriedade do empresário Marcelo Claure.


A relação entre a agremiação boliviana e o Grupo City funciona como uma consultoria, na qual o Bolívar pode, por exemplo, solicitar conselhos sobre metodologias de olheiros e treinamentos, estratégias de desenvolvimento das academias de jovens, entre outros. Além disso, o clube possui acesso a uma plataforma de dados e insights de futebol e da estrutura de organização e estratégias usadas pelos demais times do City.

1 comentário


Maria Cristina Gobbi
Maria Cristina Gobbi
21 de out. de 2024

Ficou espetacular. Parabéns Beatriz , Carolina , Gabriela , Ingrid e João Vitor. A relação estabelecida entre o Flamengo e o Bolívar ficou muito interessante. Vocês trouxeram dados pouco conhecidos e a entrevista ficou espetacular . Relamente muito bom o material. Parabéns.

Curtir
bottom of page